A popularização do acordeon pode ser explicada por sua próprias peculiaridades.   Portátil, de som mais alto que muitos outros instrumentos, com botões para os baixos e para a melodia, o acordeon  possibilita a figura da “orquestra de um homem só”.

Em alguns países da Europa, ele adaptou-se à cultura local facilmente por reproduzir os sons de instrumentos mais antigos, mais complexos e maiores. Exemplos são a gaita de fole na Grã-Bretanha, a mussete na França e a gadja na Europa Oriental.      

Outro fator determinante para a globalização dos instrumento foram os  fluxos migratórios de europeus para as américas, ocorridos entre fins do século XIX e início do século XX.  Destino de vários grupos étnicos, logo os Estados Unidos tornaram-se um dos maiores importadores do instrumento. Presente  em diversos ritmos locais, o acordeon chegou a ser usado em big bands e até mesmo por grupos que dariam origem ao rock’roll, como Bill Halley and his Comets.  A ironia é que anos mais tarde, o iê-iê-iê seria apontado como o maior responsável  pela crise no uso e na produção dos acordeons.

Na América do Sul, o acordeon dividiu a preferência com o bandoneon, sendo que  segundo (inicialmente usado na Alemanha para propagação da fé luterana) acabou sendo o preferido na Argentina e Uruguai. A sonoridade do bandoneon enquadrou-se perfeitamente ao temperamento do tango e em Buenos Aires, os músicos  trataram de  inventar uma escrita própria para o instrumento, embora não dispusessem de escola ou de  técnica sobre como tocá-lo. No Brasil e nos países caribenhos, a simpatia recaiu sobre o acordeon.