O acordeon, chamado de gaita no Rio Grande do Sul, chegou ao extremo sul do Brasil pelas mãos dos imigrantes italianos que começaram a povoar os pampas em 1875. Logo o instrumento tornou-se popular e adquiriu sotaque meridional, fundindo-se às tradições gauchescas e dando origem a diversas danças regionais, como as milongas e os fandangos.

Além de inserir-se na cultura local, o acordeon passou a ser fabricado em terras gaúchas, inicialmente pelos próprios migrantes. Nas décadas de 50 e 60, a ampla maioria das industrias de acordeon do Brasil estavam fixadas no Rio Grande do Sul. No auge do mercado, o país chegou a ter 32 fábricas, sendo que todas elas fecharam, principalmente graças aos advento da Jovem Guarda, que introduziu os instrumentos eletrônicos entre os jovens, relegando o acordeon a um segundo plano.

Entre essas industrias, o maior destaque ficou por conta da Todeschini, que com matérias primas nacionais e um competente grupo de trabalhadores, ganhou projeção internacional, produzindo instrumentos fartamente divulgados por Luiz Gonzaga e considerados até hoje como um dos melhores já fabricados no continente americano. Em 1975, a Todeschini fechou as portas após um incêndio e seus proprietários decidiram dedicar-se exclusivamente ao ramo moveleiro.